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Turbo celebra 20 anos de estrada e 10 anos de “Eu Sou Spartacus”

Turbo

Era uma terça-feira quando parei pra ouvir “Eu Sou Spartacus”, álbum da Turbo que completa dez anos em 2025. Depois de acordar às 6h30, alimentar seis gatos e entregar um briefing que me pediram enquanto eu dormia, dei play em “Fã #1” (primeira faixa do disco) e, de repente, me vi dentro do filme “Sexta-Feira Muito Louca”, com a Jamie Lee Curtis tocando guitarra no corpo da Lindsay Lohan.

Talvez tenha sido a estética roqueira, talvez a vontade de subir em um palco e virar uma estrela de rock, mas o fato é que todas as músicas ficaram em repeat na minha cabeça o dia inteiro, arrisco dizer, a semana inteira.

Apesar do álbum completar dez anos, a Turbo já corre na estrada da música há 20. Quando eles começaram, as coisas eram bem diferentes. Não tinha como postar no Instagram uma arte anunciando o show, tudo era marcado por telefone e até cartas eram enviadas. Foi nesse cenário analógico que a Turbo se tornou uma das bandas mais conceituadas de Belém.

De Belém pra Suécia pra criar um álbum

“Tinha esse produtor que é o Chips Kiesbye. A gente falou ah, bora mandar um e-mail pro cara e ver o que que rola. Ele acabou respondendo e foi super receptivo e deu algumas opções do que a gente poderia fazer”.

E foi assim que surgiu um dos álbuns mais aclamados da cena paraense, “Eu Sou Spartacus”, gravado na Suécia, em uma viagem que não foi planejada, mas que dali, surgiram dois disco, “Eu Sou Spartacus” e “O Melhor Naufrágio” (2017), ambos sob produção de Chips Kiesbye, que já trabalhou com grandes bandas de rock como Millecollin, Hellacopters e Sahara Hotnights.

“A gente tinha uma data pra viajar pra lá, mas a gente não conseguiu dinheiro o suficiente e um ano depois a gente foi pra lá pra Suécia pra fazer um disco, mas acabou que o material que a gente tinha virou dois discos”, completa Camillo Royale.

E se engana quem pensa que a Turbo não recebeu um tratamento digno de banda de rock famosa. Segundo o vocalista, o tratamento foi o que mais marcou o grupo.

A gente foi tratado como uma banda realmente grande, você gravar em outro país, na mesma forma que você vê em documentários das tuas bandas favoritas, 12 horas por dia, no inverno escandinavo. Isso tudo era uma experiência nova pra gente, então gravar que nem gringo foi muito bom.

Mas o “Eu Sou Spartacus” foi tão bem preparado por Wilson Fujiyoshi no baixo, Neto Batera na bateria e Camillo Royale no vocal e na guitarra que, chegando lá, Chips Kiesbye quase não mudou em nada da produção musical. A Turbo conseguiu gravar tudo o que foi preparado, com exceção de uma ou duas coisas que foram ajustadas no decorrer do trabalho.

Os integrantes ficaram 18 dias no local, trabalhando 12 horas por dia no estúdio Music-a-Matic, um dos mais importantes da Suécia. Durante a estadia, eles registraram essa rotina intensa de gravações e publicaram no YouTube, compartilhando um pouco dessa experiência com os fãs.

20 anos de estrada e nenhuma vontade de parar

Dez anos depois, com uma nova formação que inclui Ricardo Leão (baixo), André Cecim (bateria) e Bruno Cruz (guitarra), Camillo afirma que a essência da banda continua a mesma: fazer a galera se divertir, independentemente das dificuldades, continuar lançando músicas e seguir fazendo isso enquanto houver vontade.

E foi justamente dessa vontade que, em 2025, a Turbo retornou às plataformas de streaming com o eletrizante single “Liso”, acompanhado de clipe oficial e planos para novas faixas, criando expectativas de um novo álbum pro seu público fiel.

Mesmo com essa energia incessante para continuar produzindo, alguns obstáculos da época em que a banda surgiu ainda persistem. Muita coisa melhorou, é claro, mas a falta de oportunidades segue sendo uma realidade. “Muitas vezes você é mais valorizado fora de casa do que na própria terra, mas isso acontece com qualquer banda, em qualquer estado”, reflete ele.

Apesar dessa dificuldade, de duas coisas a Turbo pode ter certeza:
1ª: ando profundamente arrependida de ter perdido dez anos da minha vida sem escutar “Eu Sou Spartacus”.
2ª agora sou oficialmente fã #1 da Turbo e meu maior sonho virou ter uma Gibson les paul custom black.

Foto: divulgação


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